O PARQUE VIVO
Vida Selvagem e Parque Nacional do Rio Subterrâneo
Uma rara natureza selvagem que vai da montanha ao mar, com 165 espécies de aves, nove de morcegos, macacos, lagartos-monitores e mangais — o parque que rodeia a famosa gruta.
Veja os passeios pelo Rio Subterrâneo no GetYourGuide ↗Mais do que uma gruta
É fácil pensar no Rio Subterrâneo como uma única atração — a gruta e o passeio de barco — mas ele está inserido num parque nacional verdadeiramente importante, com 22.202 hectares, e o parque é uma grande parte da razão pela qual a UNESCO classificou o local em primeiro lugar. O que aqui está protegido é um ecossistema completo e ininterrupto, de "montanha a mar": picos cársicos de calcário, floresta tropical, o rio subterrâneo e uma linha costeira, tudo num único gradiente contínuo. Esse tipo de extensão intacta, do cume da montanha até ao recife, é cada vez mais raro no Sudeste Asiático, e é a espinha dorsal ecológica da qual a gruta depende.
Uma das florestas mais ricas de Palawan
Os números são impressionantes para um lugar tão compacto: 165 espécies de aves registadas — cerca de dois terços de todas as aves encontradas em Palawan — além de 30 espécies de mamíferos, nove tipos de morcegos e duas de andorinhões, e mais de 800 espécies de plantas, incluindo quase 300 tipos de árvores. Palawan é já uma das províncias com maior biodiversidade das Filipinas, e este parque concentra uma parte notável dessa riqueza. Mesmo que veja apenas uma fração num passeio de um dia, vale a pena saber que a floresta à sua volta faz muito mais do que emoldurar a gruta.
Os animais que vai encontrar na realidade
A vida selvagem que tem mais probabilidade de encontrar não está nas copas das árvores, mas sim na praia de desembarque: macacos-de-cauda-longa e lagartos-monitores, ambos totalmente habituados a pessoas e muitas vezes mesmo ao lado do caminho para a gruta. Os macacos são oportunistas notórios — rápidos a agarrar comida, garrafas de água ou um saco aberto — razão pela qual os guardas são firmes em não permitir comer na praia e em insistir para que mantenha os seus pertences fechados. As pitões-reticuladas também vivem no parque, embora seja muito menos provável avistar uma. É uma oportunidade rara de observar animais verdadeiramente selvagens de perto, desde que os trate como selvagens.
Os morcegos e os andorinhões da caverna
No interior da gruta, a vida selvagem está por cima e é constante: nove espécies de morcegos e duas de andorinhões-das-cavernas empoleiram-se na escuridão, e são eles a origem do chilrear incessante, do odor e do guano sobre o qual é avisado. Longe de serem um incómodo a suportar, são o sistema vivo da gruta — os andorinhões orientam-se por cliques semelhantes a ecolocalização, os morcegos saem em massa ao crepúsculo para se alimentar — e uma grande parte do que distingue este lugar de uma gruta-museu morta. É um ecossistema em pleno funcionamento por entre o qual acontece estar a remar.
Os mangais de Sabang
De volta a Sabang, um passeio de barco a remos pelos mangais, gerido pela comunidade local, merece bem ser acrescentado. Um guia local conduz-te silenciosamente por uma floresta de mangais de maré, à procura de lagartos, cobras, caranguejos, guarda-rios e, por vezes, de alguma cobra enrolada nos ramos — tudo isto barato, discreto e de gestão local. Depois do dramatismo da gruta escura, é um contraponto suave e verdejante — e, tal como o cruzeiro dos pirilampos que alguns tours acrescentam ao entardecer, um lembrete de que o parque é uma paisagem viva por inteiro, não apenas um famoso buraco na montanha.
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